Decidiram abrir a relação: primeiros passos sem pressa

Depois da frase «sim, os dois queremos experimentar», muitas vezes vem o alívio. A parte mais assustadora da conversa parece ter ficado para trás: ninguém está a agir em segredo, ninguém finge que o desejo não existe, ambos concordam pelo menos em explorar um novo formato.
Mas logo surge outra pergunta: como é que se começa, concretamente? Não em teoria, mas nas primeiras semanas e nos primeiros meses, quando ainda não há hábito, linguagem comum nem ritmo testado. É muitas vezes nessa fase que o casal estabelece formas de agir que depois são difíceis de mudar: quem define a velocidade, o que conta como honestidade, como se falam os medos, onde acaba a liberdade pessoal e começa a pressão.
Antes de avançarem, vale a pena colocar três sinais de paragem:
- não ajustar a decisão a uma pessoa concreta, a uma festa ou a uma oportunidade inesperada;
- não abrir a relação para remendar sexo, confiança, tédio, ressentimento ou qualquer coisa que já esteja a doer;
- se o parceiro diz «não», isso não é o início de uma negociação até à exaustão, mas uma questão de compatibilidade — era disso que tratava o artigo anterior.
Primeiro, combinem o que estão realmente a abrir
«Abrir a relação» soa a um único formato, mas na prática pode significar coisas muito diferentes.
Para um casal, pode ser monogamish: uma relação sobretudo monogâmica em que é possível, raramente e por acordo prévio, viver uma experiência fora do casal. Para outro, pode ser swing, em que o casal se encontra com outras pessoas em conjunto. Para outro ainda, encontros separados, contactos sexuais separados ou até vínculos românticos separados.
Não são pequenas variantes da mesma coisa — trazem perguntas diferentes e consequências diferentes para o casal.
Se querem apenas episódios raros em conjunto, há certas questões que importam: onde conhecer pessoas, como escolhê-las, o que fazer se uma pessoa gostar e a outra não. Se cada um pode encontrar-se separadamente, surgem outros temas: tempo, ciúme, privacidade, nível de detalhe, noites fora, segurança, envolvimento emocional.
Um mau início é dizer «vamos abrir a relação» e depois descobrir que uma pessoa imaginava um flirt conjunto uma vez por ano, enquanto a outra já se vê mentalmente a ir a encontros a sós. Primeiro é preciso nomear não uma etiqueta bonita, mas o quadro real: o que passa a ser possível, e o que ainda não passa.
Primeiro a conversa e a leitura, depois as pessoas
O ritmo mais tranquilo define-se antes de aparecer uma pessoa concreta. Enquanto não há mensagens, atracção nem a sensação de que «a oportunidade vai fechar-se agora», é mais fácil o casal pensar com clareza.
Pode começar-se por conversas simples: o que nos atrai nisto, o que nos assusta, que experiência não queremos de todo, o que parece curioso apenas em fantasia e o que nos apetece experimentar na realidade. Ler pode ajudar, não para encontrar o «modelo certo», mas para ver erros de outras pessoas e palavras que ainda vos faltam.
É importante que o ritmo seja definido por vocês, e não pelas circunstâncias. Não por um convite. Não pela simpatia de alguém. Não por uma viagem. Não por um «já que aconteceu, decidimos agora».
Abrir a relação não tem de começar por uma acção. Às vezes, o melhor primeiro passo é um mês de conversas sem procurar ninguém. Não é cobardia nem recuo. É uma forma de não transformar uma pessoa real em campo de testes para acordos que ainda não amadureceram.
Cada um nomeia os seus desejos e os seus limites duros
Depois do «queremos experimentar», é fácil passar a falar em nome do casal: interessa-nos, podemos, não podemos. Mas dentro do casal continuam a existir duas pessoas separadas.
Cada uma tem os seus desejos. Os seus medos. Os seus «talvez». Os seus «não, isto não é para mim». E os seus limites duros, que não devem dissolver-se no entusiasmo da outra pessoa.
Uma boa conversa não começa com um parceiro a apresentar um plano e o outro a aceitar ou resistir. É melhor que cada um formule, separadamente, três listas: o que me interessa de verdade; o que ainda não compreendo ou não estou pronto para experimentar; o que para mim é claramente inaceitável.
Essas listas podem não coincidir. É normal. A diferença nem sempre significa proibição. Mas mostra onde é preciso uma conversa lenta, e não a pressão de uma ideia comum que soa bem.
É especialmente importante não transformar o parceiro mais cauteloso no «travão», nem o mais interessado no «autor principal» do novo formato. Se abrir a relação passa a ser o projecto de uma só pessoa, a outra começa rapidamente a sentir-se não como participante, mas como condição de acesso.
O mínimo de acordos para começar
Na primeira fase, não é preciso tentar escrever uma constituição para todos os casos possíveis. Regras a mais criam muitas vezes uma ilusão de controlo, mas não substituem a confiança nem a capacidade de parar.
Mas antes da primeira procura vale a pena nomear um mínimo.
- Segurança. Que práticas de sexo protegido são obrigatórias, como falam de testes de IST, o que tem de ser discutido antes da intimidade, que riscos são inaceitáveis para vocês.
- O que se fala com antecedência. Por exemplo: primeiros encontros, noites fora, encontros repetidos, sexo, envolvimento emocional, encontros com pessoas do círculo comum. Não porque o parceiro seja dono do teu corpo, mas porque o formato do casal não muda sozinho.
- Reciprocidade de princípio. Isto não significa que ambos tenham de fazer a mesma coisa. Um pode ser mais activo, o outro mais cauteloso. Mas os acordos não devem soar a uma excepção pessoal para uma pessoa, com restrições para a outra.
- O que fazer se alguém ficar mal. Não «aguenta, nós combinámos», mas como fazem uma pausa, como voltam à conversa, que sinais indicam que o ritmo está demasiado rápido.
Revelação: privacidade e honestidade não são a mesma coisa
Numa relação aberta, a palavra «contar» tem dois sentidos diferentes.
O primeiro é contar ou não à família, aos amigos, aos colegas, aos vizinhos. Aqui, a privacidade pode ser perfeitamente normal. Nem todos os casais querem explicar o seu formato aos pais ou transformar a vida pessoal em tema de conversa no escritório. As pessoas têm filhos, trabalho, contexto cultural, questões de segurança, cansaço das opiniões alheias.
O segundo sentido é dizer ou não a verdade às pessoas que conhecem e com quem podem vir a encontrar-se. Aqui, a ética já é outra.
Esconder de uma nova pessoa que estão numa relação, que têm um formato acordado, que o contacto só é possível dentro de certos limites, não é privacidade. É retirar-lhe a possibilidade de consentir na situação real.
Não têm de expor a vossa vida privada ao mundo inteiro. Mas as pessoas que convidam para um contexto íntimo ou romântico precisam de uma entrada honesta: quem são, em que formato vivem, o que é possível, o que não é, onde já existem compromissos.
O primeiro encontro: devagar, em segurança, com humanidade
É melhor que o primeiro contacto tenha pouco peso. Um café, um passeio, um encontro curto, uma troca de mensagens tranquila sem promessas. Não é preciso transformar logo tudo num acontecimento sobre o qual o casal coloca demasiadas expectativas.
O estatuto do casal e o formato devem estar claros antes de o desejo ganhar demasiada velocidade. Não depois do flirt, não no momento da intimidade, não quando a pessoa já se sente constrangida a recuar. Quanto mais cedo a realidade for nomeada, menor a sensação de alguém ter sido puxado para uma dinâmica alheia.
Antes da intimidade, vale a pena falar directamente de sexo protegido, testes de IST, métodos de barreira, expectativas sobre exclusividade ou a ausência dela. Isto não estraga o ambiente. Torna o consentimento adulto.
Também é útil combinar de antemão como vão verificando o que se passa e como é possível sair. Como cada pessoa pode dizer «preciso de parar». O que acontece se um de vocês ficar desconfortável. Como não abandonam uma terceira pessoa a meio de uma situação só porque a ansiedade subiu dentro do casal.
O essencial: não tratar a nova pessoa como um teste para o vosso casal. Ela não é um instrumento para avaliar ciúmes, nem um exercício terapêutico, nem cenário para a vossa experiência. É uma pessoa separada, com os seus desejos, limites e direito a respeito.
Quando estão prontos para procurar
Se as conversas já aconteceram, o formato foi nomeado, os acordos iniciais são claros e cada parceiro falou separadamente dos seus desejos e limites duros, surge a próxima pergunta prática: onde procurar, para que cada novo contacto não comece numa névoa.
Aqui, a Gramsy pode ser útil precisamente na fase de conhecer pessoas. O perfil de casal no site não é uma voz única e comum do casal, mas duas pessoas separadas. Cada uma indica as suas atracções, desejos e limites duros. O formato da relação é declarado ao nível do casal, incluindo opções como monogamish.
Isto ajuda a tornar visível, na fase de procura, aquilo que cada um de vocês já formulou. Podem olhar para pessoas cujos formatos e expectativas declarados estejam mais próximos dos vossos, e elas vêem cada um de vocês como uma pessoa, não como uma «metade do casal» sem nome.
Mas é importante não exagerar o papel do site. A Gramsy não prova que um casal tenha um acordo saudável. Não substitui conversas. Não gere limites internos nem vos conduz pela mão através da abertura da relação. É um lugar para uma procura honesta e para uma primeira coincidência de expectativas, não coaching nem árbitro do vosso casal.
Perguntas frequentes
Quão devagar devemos começar?
Devagar o suficiente para que ambos consigam dizer a verdade, e não apenas concordar com uma velocidade que já ganhou embalo. Se um parceiro está sempre a correr atrás, o ritmo é provavelmente rápido demais.
Por onde começar a conversa entre nós?
Não pelas regras e não pela procura de pessoas. Comecem por três perguntas, à vez: o que me interessa; do que tenho medo; o que para mim claramente não serve. Depois comparem as respostas, sem a tarefa de encontrar logo um compromisso.
Como contar às pessoas à nossa volta?
Primeiro decidam quem precisa realmente de saber. A privacidade perante a família, colegas e conhecidos ocasionais pode ser sensata. Mas com as pessoas que convidam para um encontro, sexo ou intimidade, o formato deve ser nomeado com honestidade e antecedência.
Um bom começo não é um nome ousado para o formato, mas reciprocidade, um ritmo claro e respeito por todas as pessoas que entram nele.
O formato é visível antes das mensagens
Preenche um perfil onde cada parceiro nomeia o que é seu, e o formato da relação — incluindo monogamish — fica visível desde logo, antes da primeira mensagem. Com calma e consentimento.
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